Já andava há algum tempo a pensar em fazer uma viagem "fora de portas" sozinha. Depois do passo gigante de ir viver sozinha, do pequeno passo de comprar apenas um bilhete de cinema e sentir-me bem com isso. A vontade e o desejo de arriscar e colocar os receios no bolso e embarcar num avião tornava-se cada vez mais um pensamento diário e uma ânsia.
Vi, revi e voltei a rever preços e possibilidades e, de repente, quando menos esperava surgiu um presente completamente inesperado. A minha avó paterna decidiu oferecer-me algo em jeito de celebração dos meus 35 anos (Se bem que eu acho que a idade dela já não lhe permitiu lembrar-se do dia em questão). Quando dei por mim tinha um dinheiro que não precisava e não queria fazer uso do mesmo para pagar as contas mensais, que até à data tinha conseguido fazer somente com o meu ordenado. Era um sinal! Algo ou alguém me dizia "Não tens desculpas agora. Não há motivo para não o fazeres. Vai, arrisca! Faz o que te diz o coração!"
Claro, que ao pensar em fazer uma viagem sozinha,o primeiro sitio que pensei foi em Londres. Uma cidade que, ao mesmo tempo me era familiar, dominava a língua e amava e amo de uma forma quase irracional. Provavelmente, parece estranho para algumas pessoas fazer uma viagem para um sitio que já conhecia mas a realidade é que sendo eu a pessoa que sou, ao partir nesta aventura, teria que sentir algum conforto emocional.
Quando dei por mim, tinha viagem marcada, hotel reservado, dias planeados e um segredo guardado a 7 chaves. Tinha tanto medo que alguma coisa não desse certo que mantive este presente para mim mesma quase até ao último minuto.
No dia 5 de Maio, apanhei o avião com destino a Londres (novamente) e a sentir como se fosse a primeira vez. E no fundo era e foi a primeira vez. A primeira vez que viajei sozinha e que iria apenas contar com a minha companhia e esperar não me sentir só!
O impacto de chegar "à minha cidade" foi maior que o esperado e mais avassalador. Durante umas horas largas senti-me perdida e pensei se realmente tinha tomado a decisão certa. Queria ir para casa, queria o conforto do meu lar. Passeei pouco e decidi enclausurar-me cedo no hotel. Foi a melhor decisão que tomei. Aí, liguei para o meu pai e ouvi a sua voz reconfortante, respirei fundo e decidi "Estás na cidade que amas, não foi um erro, foi destino poderes estar aqui. Vê, cheira, ouve e desfruta desta oportunidade única. Porque esta será sempre a tua primeira viagem em modo "Me, myself and I".

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