Este ano fiz 35 anos...Uau! 35 anos? Como o tempo passou desta maneira?
A verdade é que passa, corre, voa e aos poucos vou aprendendo a deixar de ter medo, a deixar para trás o sindrome Peter Pan e abraçar a vida como ela é.
Este ano gritei (internamente) que fiz 35 anos, este ano e pela primeira vez desde há muito senti-me muito feliz, senti-me realmente plena e acarinhada no dia dos meus anos.
Em 2015 celebro não só os meus “redondos” 35 mas também um ano de independência fisica.
No dia 24 do mês passado foi o meu dia, o meu nascimento. No dia 15 de Março celebro o meu nascimento na verdadeira idade adulta. Foi nesse dia que larguei o “colo” dos pais e abracei a minha nova vida. Uma nova vida com resquicios do passado, com passos no presente e com alguma ansiedade pelo futuro.
Em 365 dias jamais me arrependi da decisão que tomei, nem por um segundo achei que não estava preparada para ir viver sozinha. A verdade é que há muito me perguntavam, com alguma incredulidade, “Mas ainda vives com os teus pais?”. A minha resposta politicamente correcta era sempre a mesma: A vida não é facil, ganho pouco e blá blá do género. Mas a verdade é que ainda não tinha sentido realmente a necessidade de arriscar e crescer.
Foi preciso uma mudança radical na minha vida, uma perda gigantesca e uma dor que me acompanha diariamente para perceber que afinal eu podia crescer. Que não iria perder nada que não valesse a pena perder, aliás, só teria a ganhar...
Se me perguntarem se é facil, a resposta é simples: Não, não é! Não é facil fazer contas de cabeça, não é facil sentir que tens que esticar o dinheiro para pagar contas e se tiveres sorte e sobrar algum, poderes fazer algumas das extravagâncias que dantes fazias sem piscar os olhos duas vezes.
Não é facil estares em casa sozinha e sentires-te verdadeiramente só. Sem um colo para te aninhares , um ombro para chorares ou uns olhos para olhar e sorrires de contentamento.
Mas o crescimento não é facil, é tremendamente dificil e assustador!
No entanto, é quando entras na tua casa, no espaço que estás a criar um lar, que sentes em como não faz mal crescer, em como não faz mal em sentires-te assustada. Quando colocas a chave na fechadura e sorris para ti, porque sentes que um dos teus objectivos foi alcançado.
É bom, muito bom ter o meu espaço. Receber as minhas pessoas na minha casa, rir com elas à mesa, a minha mesa.
É bom, muito bom ter o meu espaço onde posso receber o silêncio com paz de espirito, dançar de pijama no meio da sala e cantar aos altos berros enquanto a música faz eco nas paredes ainda semi nuas.
É bom, muito bom sentir que estou a crescer e deixar para trás o meu sindrome de Peter Pan sem, no entanto,deixar de acreditar nos Contos de Fadas, mesmo que a vida real não tenha nada a ver com principes e princesas perfeitos.
É bom, muito bom sentir-me a “Rainha do meu castelo”. E quem sabe, um dia encontre um “Rei” para me acompanhar na viagem!
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