Uma semana passou e agora começa a instalar-se dentro de mim aquela sensação de irreal...
Não pode ser verdade, não consigo acreditar que não vais estar ansiosa à minha espera. À espera da tua neta mais velha, que vem da "capital" para te ver e fazer rir! Sim, nos ultimos dois anos era essa a minha tarefa. Fazer-te rir, fazer-te lembrar de todos os momentos que rias com vontade e lembrar dos momentos memoráveis que nós duas tivemos...
Não consigo encaixar que, mesmo sentada na tua cadeira de rodas e já não sendo a minha avó de outros tempos,já não vais estar a olhar pela janela à espera da familia vinda de Lisboa.
Mas guardo e guardarei em mim o teu cheiro avó, guardo em mim as palavras que te disse horas antes de partires tranquila, guardo em mim aquele suspiro profundo quando ouviste a minha voz a dizer-te que tinha chegado. Mas, acima de tudo, guardo em mim todos os bons momentos que tivemos e jamais se desvanecerão...
Sabes, a tua filha esta semana assou batata doce. Bem sabes que não gosto nada, mas o cheiro que senti lembrou-me dos Natais em que fazias os pasteis que todos comiam com prazer.
Todas as noites, me tenho embrulhado numa das tuas mantinhas, aquelas que gostavas de colocar em cima das pernas e no dia em que tive que me despedir de ti, usei uma das bandoletes e trouxe-a comigo como se de um tesouro se tratasse...
Oh avó...Sei que me ouviste quando te disse para partires tranquila, sei que percebeste quanto de disse que não precisavas de lutar mais por nós. Que se estivesses cansada podias ir em paz que nós ficariamos bem, que eu ficaria bem. Mas não deixa de doer.. doi tanto, doi tanto esta sensação de vazio dentro de mim...
As lágrimas hão-de deixar de cair com tanta regularidade, esta dor no peito há-de cessar e nessa altura ficará apenas a saudade!
domingo, 27 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Saudades tuas...
Mas guardo em mim o teu cheiro, guardo para mim as palavras que te disse baixinho, guardo em mim o amor que me tiveste...
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
A ti Avó...
Sinto os olhos pesados mas já não sei chorar...
Sinto o corpo dormente mas não estou cansada...
Sinto a alma vazia mas continuo viva...
Nunca estamos preparados para a tristeza, para a doença, para a incapacidade e impotência de ver quem amamos a sofrer, tenha que idade tiver...
Mais uma vez sinto um peso dentro de mim, uma tristeza gritante e uma vontade de abraçar e embalar a minha avó, tal como o faço a um dos meus meninos quanto tem um “doi doi”...
Sei que faz parte, sei que tenho que me preparar mas quando estou diante dessa possibilidade como algo real e não meramente teórica, a dor invade-me os poros...
Não é uma carta de despedida propriamente dita, porque essa não aconteceu. É uma carta onde coloco sem barreiras, sem filtros, sem pensar, o que sinto neste momento...
Uma carta onde lembro todos os momentos que fazem parte da minha história e da minha avó Natércia... Por isso estas palavras são para ti...
Tenho saudades das sopas de tomate que fazias com tanto gosto só para mim, das ervilhas e ovos escalfados que preparavas especialmente quando ia visitar-te;
Saudades de te ver brindar com um calice de vinho do Porto e às vezes bebê-lo de um trago ;
Saudades de passarmos o Natal juntas e de te ver embrulhada no xaile e com a manta nas pernas;
Saudades do teu sorriso e das expressões que só tu usavas e faziam lembrar-te o teu Alentejo;
Tenho saudades da avó e não da pessoa que o maldito avc deixou...
Doi-me a alma e o corpo cansa-me sentir que não vais estar lá no dia em que me casar, que não irás conhecer nenhum bisneto e não estarás lá para me dizeres ao meu ouvido “Finalmente filha!”
Oh avó, porque é que doi tanto????
Sinto o corpo dormente mas não estou cansada...
Sinto a alma vazia mas continuo viva...
Nunca estamos preparados para a tristeza, para a doença, para a incapacidade e impotência de ver quem amamos a sofrer, tenha que idade tiver...
Mais uma vez sinto um peso dentro de mim, uma tristeza gritante e uma vontade de abraçar e embalar a minha avó, tal como o faço a um dos meus meninos quanto tem um “doi doi”...
Sei que faz parte, sei que tenho que me preparar mas quando estou diante dessa possibilidade como algo real e não meramente teórica, a dor invade-me os poros...
Não é uma carta de despedida propriamente dita, porque essa não aconteceu. É uma carta onde coloco sem barreiras, sem filtros, sem pensar, o que sinto neste momento...
Uma carta onde lembro todos os momentos que fazem parte da minha história e da minha avó Natércia... Por isso estas palavras são para ti...
Tenho saudades das sopas de tomate que fazias com tanto gosto só para mim, das ervilhas e ovos escalfados que preparavas especialmente quando ia visitar-te;
Saudades de te ver brindar com um calice de vinho do Porto e às vezes bebê-lo de um trago ;
Saudades de passarmos o Natal juntas e de te ver embrulhada no xaile e com a manta nas pernas;
Saudades do teu sorriso e das expressões que só tu usavas e faziam lembrar-te o teu Alentejo;
Tenho saudades da avó e não da pessoa que o maldito avc deixou...
Doi-me a alma e o corpo cansa-me sentir que não vais estar lá no dia em que me casar, que não irás conhecer nenhum bisneto e não estarás lá para me dizeres ao meu ouvido “Finalmente filha!”
Oh avó, porque é que doi tanto????
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