A Rainha Só precisava de falar com o seu povo, precisava de lhes explicar como se estava a sentir e do que precisava de fazer…
No meio dos vales verdejantes e com uma pequena multidão à sua volta falou:
“Sei o quanto sou querida por todos vós e por isso devo-vos estas palavras… Ao longo destes anos dei tudo de mim e fiz tudo o que estava ao meu alcance para vos ver felizes e isso significou, vezes sem conta, colocar os meus próprios sentimentos de lado. Não que esteja aqui a cobrar-vos isso, porque o que fiz foi com o coração e por nada deste mundo me sentirei arrependida de tal actos. No entanto, também ao longo deste tempo e desde que nasci fui preparada para governar, para fazer isto para a vida. Mas a verdade é que o meu espírito sempre esteve noutro lado, lado que nem eu própria sei bem onde está e sinto, neste momento, a necessidade de me encontrar, de me perceber. E se hoje tenho esse sentimento e consigo expô-lo desta maneira é porque vocês me deram essa oportunidade, porque vocês provocaram em mim tamanha sensação de liberdade que vos estou eternamente grata. Por isso vos peço que me entendam e não vejam a minha decisão como uma fuga mas sim como uma descoberta. Jamais conseguiria fazê-lo se não estivesse completamente segura que o reino de Lis, ficaria em mãos capazes. Mãos essas que irão necessitar de todo o vosso apoio e compreensão. Porque este reino não é meu, é vosso. É graças a todo o vosso esforço que conseguimos viver em paz e harmonia. Por isso neste momento aquilo que vos peço é a vossa bênção.”
Depois de ouvirem as palavras da sua rainha e por mais sentimentos ambíguos tivessem ouviram-se mais alto as vozes conciliadoras. Talvez porque sentissem a sua rainha decidida ou pelo simples facto de que ela era tão querida por todos que sentiam que ela merecia esta oportunidade. A verdade é que a entendiam e pela primeira vez viam-na como uma jovem mulher, sem coroa ou ceptro, sem espartilho ou outro elemento opressor, simplesmente viam a Maria.
Dias passaram e não sei como foi a conversa e as várias reuniões com ministros e conselheiros. Isso ficou entre quatro paredes. Sei que Maria, depois de deixar o governo nas mãos capazes das pessoas em quem mais confiava, pegou numa trouxa e saiu…
Para trás deixou o espartilho e a coroa, libertou o cabelo ruivo do penteado ornamentado e prendeu-o numa simples trança. Consigo levou o pêssego, já demasiado amadurecido, uma flauta (A harpa era demasiado pesada) e o sentimento de um coração leve como uma pena.
Olhou para o castelo e para o seu reino e sabia que um dia havia de voltar mas jamais voltaria a mesma. Maria devia a si própria uma aventura, uma auto descoberta. O seu espírito pedia-lhe, não, exigia-lhe que ela percebesse quem era, e que pretendia para si. Neste momento, a Maria, não sabia o que queria, nem quem era mas tinha uma certeza, queria um beijo doce, tal como o pêssego que levava com cuidado nas mãos...
2 comentários:
Exacto já percebi o que queria
Será que se adequa um ainda bem???
Depois, quando for oportuno, explicas...
Beijinhos:)*
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