Porque a rainha não se mostrava mais entusiasmada com a sua vida? Afinal, o que ela pretendia para si?
Mas eles não a conheciam, ela nunca se tinha deixado conhecer…
E o segredo estava então nisso mesmo, conhecê-la e quem sabe ela conhecer-se a si própria.
Na festa das colheitas, onde existia sempre uma grande comemoração, os habitantes decidiram celebrar não só a sorte que tinham tido mas também homenagear a sua rainha. Não pelas fantásticas politicas que tinha adoptado ao longo do seu curto reinado mas porque era uma mulher que se preocupava em ouvir, que mostrava ter sentimentos muito nobres e que nem sempre eram reconhecidos devidamente. E as pessoas humildes do reino de Lis sabiam-no, mais do que saber, sentiam-no…
Entre danças e contradanças, assistidas fielmente pela rainha Só, que batia o pé convenientemente escondido pelo vestido, alguém teve a audácia de a convidar para dançar…Audácia, principalmente, na ideia dos soldados que rodeavam a sua governante.
Maria pensou “Quem me dera poder aceitar…” e da forma que pensou, agiu. Naquele pequeno instante decidiu por impulso, decidiu fazer diferente, decidiu ser ela.
Levantou-se cuidadosamente, tentando não aparentar o genuíno entusiasmo que sentia, e aceitou a mão estendida daquele jovem com ar imberbe e olhar tímido.
No momento em que começaram a girar ao ritmo agitado da melodia, a rainha Só passou a ser simplesmente Maria, algo que não sentia há muito. Sorriu interiormente e quando deu conta o seu sorriso tímido contagiou-lhe todo o seu corpo e uma gargalhada estremeceu-lhe a garganta. Maria sentia-se feliz.
As gentes do reino estavam agradadas com tal disposição. Transmitia-lhes confiança sentirem que a sua rainha também podia sorrir e sentir-se verdadeiramente feliz. Era, sem duvida uma rainha amada pelo povo.
Quando a musica terminou, o jovem afastou-se ligeiramente da rainha e tirou do bolso um pêssego. Num gesto de tamanha coragem ofereceu-lho. Maria, curiosa, perguntou-lhe o porquê de tal presente, ao que ele respondeu quase a gaguejar, “O pêssego é uma fruta cuja pele, se não for bem lavada, pica e faz comichão, mas ultrapassado este obstáculo é muito doce e sumarenta…” E da mesma forma rápida e assustadiça que deu esta resposta, também saiu a correr pelo meio das pessoas que continuavam na celebração.
1 comentário:
OBRIGADA:)
Beijinhos grandes:)*
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