sábado, 26 de março de 2011

Era uma vez...parte V

A Rainha Só precisava de falar com o seu povo, precisava de lhes explicar como se estava a sentir e do que precisava de fazer…

No meio dos vales verdejantes e com uma pequena multidão à sua volta falou:

“Sei o quanto sou querida por todos vós e por isso devo-vos estas palavras… Ao longo destes anos dei tudo de mim e fiz tudo o que estava ao meu alcance para vos ver felizes e isso significou, vezes sem conta, colocar os meus próprios sentimentos de lado. Não que esteja aqui a cobrar-vos isso, porque o que fiz foi com o coração e por nada deste mundo me sentirei arrependida de tal actos. No entanto, também ao longo deste tempo e desde que nasci fui preparada para governar, para fazer isto para a vida. Mas a verdade é que o meu espírito sempre esteve noutro lado, lado que nem eu própria sei bem onde está e sinto, neste momento, a necessidade de me encontrar, de me perceber. E se hoje tenho esse sentimento e consigo expô-lo desta maneira é porque vocês me deram essa oportunidade, porque vocês provocaram em mim tamanha sensação de liberdade que vos estou eternamente grata. Por isso vos peço que me entendam e não vejam a minha decisão como uma fuga mas sim como uma descoberta. Jamais conseguiria fazê-lo se não estivesse completamente segura que o reino de Lis, ficaria em mãos capazes. Mãos essas que irão necessitar de todo o vosso apoio e compreensão. Porque este reino não é meu, é vosso. É graças a todo o vosso esforço que conseguimos viver em paz e harmonia. Por isso neste momento aquilo que vos peço é a vossa bênção.”

Depois de ouvirem as palavras da sua rainha e por mais sentimentos ambíguos tivessem ouviram-se mais alto as vozes conciliadoras. Talvez porque sentissem a sua rainha decidida ou pelo simples facto de que ela era tão querida por todos que sentiam que ela merecia esta oportunidade. A verdade é que a entendiam e pela primeira vez viam-na como uma jovem mulher, sem coroa ou ceptro, sem espartilho ou outro elemento opressor, simplesmente viam a Maria.


Dias passaram e não sei como foi a conversa e as várias reuniões com ministros e conselheiros. Isso ficou entre quatro paredes. Sei que Maria, depois de deixar o governo nas mãos capazes das pessoas em quem mais confiava, pegou numa trouxa e saiu…

Para trás deixou o espartilho e a coroa, libertou o cabelo ruivo do penteado ornamentado e prendeu-o numa simples trança. Consigo levou o pêssego, já demasiado amadurecido, uma flauta (A harpa era demasiado pesada) e o sentimento de um coração leve como uma pena.

Olhou para o castelo e para o seu reino e sabia que um dia havia de voltar mas jamais voltaria a mesma. Maria devia a si própria uma aventura, uma auto descoberta. O seu espírito pedia-lhe, não, exigia-lhe que ela percebesse quem era, e que pretendia para si. Neste momento, a Maria, não sabia o que queria, nem quem era mas tinha uma certeza, queria um beijo doce, tal como o pêssego que levava com cuidado nas mãos...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Era uma vez...parte IV

Maria guardou a fruta e quando a festa acabou, já no silêncio do seu quarto e solta do seu espartilho, pegou novamente no pêssego e pensou o que o jovem queria dizer com tal frase… Fechou os olhos e deixou-se levar pelo seu coração. Maria era o pêssego! Por mais que pusesse uma capa de governante e de pessoa forte, o seu interior era doce. Naquele momento nada mais importou a não ser ela própria. A única forma que tinha para ser feliz era libertar as amarras e permitir-se ser a Maria, simplesmente a Maria.

Naquela noite o seu sono foi agitado por sonhos demasiado reais. Como iria ela conseguir ter os dois mundos? Como poderia continuar a reinar sem se dar a si própria uma hipótese de ser feliz, de se sentir viva? No entanto os seus sonhos foram esclarecedores.

Quando o sol nasceu e os primeiros barulhos da manhã surgiram, Maria já estava acordada há muito e pela primeira vez em anos iria tomar uma atitude que em nada tinha a ver com os outros mas consigo própria.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Era uma Vez...parte III

Porque a rainha não se mostrava mais entusiasmada com a sua vida? Afinal, o que ela pretendia para si?
Mas eles não a conheciam, ela nunca se tinha deixado conhecer…
E o segredo estava então nisso mesmo, conhecê-la e quem sabe ela conhecer-se a si própria.


Na festa das colheitas, onde existia sempre uma grande comemoração, os habitantes decidiram celebrar não só a sorte que tinham tido mas também homenagear a sua rainha. Não pelas fantásticas politicas que tinha adoptado ao longo do seu curto reinado mas porque era uma mulher que se preocupava em ouvir, que mostrava ter sentimentos muito nobres e que nem sempre eram reconhecidos devidamente. E as pessoas humildes do reino de Lis sabiam-no, mais do que saber, sentiam-no…

Entre danças e contradanças, assistidas fielmente pela rainha Só, que batia o pé convenientemente escondido pelo vestido, alguém teve a audácia de a convidar para dançar…Audácia, principalmente, na ideia dos soldados que rodeavam a sua governante.
Maria pensou “Quem me dera poder aceitar…” e da forma que pensou, agiu. Naquele pequeno instante decidiu por impulso, decidiu fazer diferente, decidiu ser ela.
Levantou-se cuidadosamente, tentando não aparentar o genuíno entusiasmo que sentia, e aceitou a mão estendida daquele jovem com ar imberbe e olhar tímido.

No momento em que começaram a girar ao ritmo agitado da melodia, a rainha Só passou a ser simplesmente Maria, algo que não sentia há muito. Sorriu interiormente e quando deu conta o seu sorriso tímido contagiou-lhe todo o seu corpo e uma gargalhada estremeceu-lhe a garganta. Maria sentia-se feliz.

As gentes do reino estavam agradadas com tal disposição. Transmitia-lhes confiança sentirem que a sua rainha também podia sorrir e sentir-se verdadeiramente feliz. Era, sem duvida uma rainha amada pelo povo.

Quando a musica terminou, o jovem afastou-se ligeiramente da rainha e tirou do bolso um pêssego. Num gesto de tamanha coragem ofereceu-lho. Maria, curiosa, perguntou-lhe o porquê de tal presente, ao que ele respondeu quase a gaguejar, “O pêssego é uma fruta cuja pele, se não for bem lavada, pica e faz comichão, mas ultrapassado este obstáculo é muito doce e sumarenta…” E da mesma forma rápida e assustadiça que deu esta resposta, também saiu a correr pelo meio das pessoas que continuavam na celebração.

terça-feira, 22 de março de 2011

Era uma vez...parte II

...O seu objectivo passou a ser a felicidade do seu povo e tudo o que fazia era em seu proveito esquecendo-se vezes demais da sua própria felicidade e dos seus próprios sonhos.
Mas quando as luzes se apagavam e ela podia ser apenas a Maria que a sua vida se tornava encantadora. Gostava de tocar harpa e de ao som da sua música fugir para um mundo encantado, onde era apenas uma jovem à espera e receber o seu primeiro beijo. De sentir um arrepio na espinha que se prolongava por todo o seu corpo e que a transformava numa verdadeira princesa. Não como aquela que já tinha sido mas sim uma princesa com direito ao seu próprio conto de fadas.
Mas com a luz do sol e por sua vez da realidade, depressa voltava a ser a rainha Só. Os seus súbditos, ao contrário do que ela pensava, não estavam felizes mas preocupados, preocupados com o facto da sua governante pensar demasiado nos outros. Afinal, que bom isso traria? Afinal quem quer uma rainha que não está feliz e não procura um pouquinho que seja do seu destino??? Já pensaram no tipo de mensagem que ela passava?
“Vá, não lutem pelos vossos sonhos, porque eu não o faço. Não procurem aquilo que vos faz feliz porque alguém o trará numa bandeja.”

segunda-feira, 21 de março de 2011

The Miracle of Love-Eurythmics



Miracle of Love

How many sorrows do you try to hide?
In a world of illusion, its covering your mind
I’ll show you something good
Oh, I’ll show you something good
When you open your mind
You’ll discover the sign that there’s something your longing to find

The miracle of love
Will take away your pain.
When the miracle of love
Comes your way again

Cruel is the night that covers up your fears
Tender is the one that wipes away your tears
There must be a bitter breeze that makes you sting so viciously
They say the greatest coward
Can hurt the most ferociously

I’ll show you something good
Oh, I’ll show you something good
If you open your heart
You can make a new start
When your crumbling world falls apart

When the miracle of love
Will take away your pain
When the miracle of love
Comes your way again

A miracle of love
Can take away your pain
When the miracle of love
Comes your way again

Era uma vez...

Era uma vez uma rainha. O seu nome? Bem todos a tratavam por rainha Só mas na privacidade do seu quarto e liberta do vestido e espartilho ela era Maria. Simplesmente Maria…
Nascida no meio da riqueza e fartura sempre foi educada para governar. Ela sabia que esse era o seu destino e por mais que tentasse fugir não iria desiludir os seus pais, o seu reino…

Quando era pequenina e vivia no seu mundo de fantasia e contos de fadas gostava de se deitar na relva e observar o céu e à noite quando tudo e todos dormiam contava as estrelas e sonhava com o seu destino, pelo menos aquele que ela desejaria…

Mas Maria cresceu e com isso cresceu a responsabilidade de saber que como filha única não tinha como escapar ao cargo de governante daquele pequeno reino escondido pelos vales.
Mesmo sabendo que seria muito mais feliz sendo outra coisa qualquer (nunca lhe tinha sido permitido pensar numa opção) prometeu que iria fazer o melhor que pudesse e que nas suas mãos todos seriam felizes...

sábado, 19 de março de 2011

O meu pai

Hoje é dia do Pai e apesar de dizer ao meu, muitas vezes que gosto muito dele, decidi deixar aqui um post dedicado ao meu querido herói...
Dizem que nós não escolhemos a familia, mas mesmo que o pudesse ter feito, jamais teria escolhido um pai como o meu, não teria tido essa capacidade.

Se a vida fosse um conto de fadas, o meu pai com toda a certeza faria o papel de super herói ou de algum rei bondoso dum reino onde os animais falam e as árvores dançam:)
Muito daquilo que sou devo a ele, aos valores que me incutiu e à forma, sempre, serena com que me educou!

Ainda hoje com 31 anos, sou uma verdadeira menina do papá, que na actualidade já não abona a meu favor, porque deveria crescer e devia racionalizar a mortalidade dos meus progenitores. Enquanto luto para entender isso mesmo, continuo a agradecer o pai que tenho e a relação de cumplicidade qe conseguimos criar.
Ele sabe quando preciso de colo, ou quando preciso ouvir algo vindo directamente da realidade, o meu pai sabe ler os meus olhos e decifrar muito daquilo que tento esconder...

O meu pai...o meu pai é o melhor do mundo e quando anda pela rua fá-lo a assobiar!!!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Kate Havnevik - Halo



Who do you love,
when love is gone?
Who do you hunger in this great unknown?
Memories of me will fade soon
& you'll find someone new
See everyone halo bright in beauty
See everyone arrayed for you to try
You're not alone in being alone
Six billion people one of them's right for you
Who do you mean when you change your tone?
Who do you dream of when you're half asleep with one eye open?
You'll become your life soon
& I won't be in your way
See everyone halo bright in beauty
See everyone arrayed for you to try
You're not alone in being alone
Six billion people- one of them's right for you
Who do you see when you stare into space?
Who do you seek out in cyberspace?
See everyone halo bright in beauty
See everyone arrayed for you to try
You're not alone in being alone
Six billion humans - one of them's right for you

domingo, 6 de março de 2011

Kick Ass Snow White...

Pois então a "minha querida" Kristen Stewart vai desempenhar o papel de Branca de Neve! Assim que soube disso, mil ideias passaram na minha cabeça mas aquela que mais ressoou foi sem duvida a ideia duma Branca de Neve dura,sem papas na lingua e que não precisa de 7 pequenos homens para se defender. Um pouco na onda deste blog, em que a vida não é um conto de fadas e que se estivermos à espera de um principe encantado não nos safávamos...

Ainda não sei bem , os contornos do guião, mas do pouco que já li não estejam à espera de uma Kristen a cantar agarrada ao galho da árvore e com os passarinhos à volta dela enternecidos com a cantoria. Esperem, ou pelo menos eu espero, uma "Kick ass princess" que aprende que é dura a realidade da vida e que para se safar é preciso ser autosuficiente e depender apenas de si própria.

O que isto tem a ver com este blog, perguntam vocês? Pois então eu explico...

A vida não é um conto de fadas, certo? Mas isso não significa que eu não adore esses mesmos contos de fadas que povoaram a minha infância e que continuam a existir na minha vida (não tivesse eu a profissão que tenho). Só acho que eles têm que ser adaptados na nossa vida, à nossa realidade. Não estou a falar nas histórias dos Grimm ou do Andersen (não estou a dizer para mexerem nesses contos), estou a falar da nossa história, do nosso conto de fadas. Daquilo que pretendemos alcançar...

Não estejam à espera do principe no cavalo branco. Agarrem vocês mesmas as rédeas do cavalo, montem-no e cavalguem vocês próprias rumo à felicidade. Esta só depende da nossa vontade e de nós mesmas. Reeinventem as histórias, apimentem as personagens mas não se esqueçam de continuar a ter o desejo daquelas ultimas palavras E viveram felizes para sempre! (mesmo que o para sempre seja tempo demais)

terça-feira, 1 de março de 2011

Cough Cough






















Já não sentia assim há muito muito tempo...há tanto que achava que já nem adoecia...Mas pelos vistos enganei-me!!!
Até tive que cometer a "loucura" de vir mais cedo do trabalho. Algo inconcebivel para mim.Sim eu sou dessas...
Por isso, arrastei o meu corpinho para casa, tomei um comprimido, dormi e tentei enfiar alguma coisa no estômago. E agora já não sinto que um comboio me passou por cima! Só um "pequeno" veiculo automóvel de 5 portas!

Exactly this...

https://youtu.be/SFGvmrJ5rjM